Pretéritas & Outras Canções

 poeta

 

 

Regeneração quando chove. Foto:João Berchmans

 

 

Tudo que mora em mim

 

Muito de mim foi ficando

Nos sonhos de cada idade

Fui outro tanto deixando

Pelas ruas da cidade

Muito morri por amor

Até sofri de verdade

E o que de mim foi sobrando

Dei de gastar em saudade

 

Tudo que em mim habita

Fui transformando em poesia

Uma pessoa bonita

A eternidade de um dia

Ou uma cidade antiga

Uma roça se chovia

Às vezes palavra amiga

Ou um gesto de alegria

 

De uma manhã de agonia

Ou então da tarde calma

Ou de uma noite vadia

Fui construindo minh’alma

Do que me sobrou da vida

Eu fui compondo a canção

Que simples e comovida

Embala meu coração

 

Sendo assim sou e serei

O que de mim sobrou

Não sou capacho nem rei

Nem palhaço sonhador

Sou o que a vida oferece

E o que invento e componho

O meu destino tece

Na tessitura de um sonho

 

 

 

Pra que cinema

 

Pra que cinema

Se tenho belo horizonte

E a casa dela defronte

Pra se eu quiser namorar

 

Pra que cinema

Se ela é minha amante

Tem um riso cativante

E aquela luz no olhar

 

Pra que cinema

Se vez em quando ela chora

Faz drama, não vai embora

Aqui não é Casablanca

 

Pra que cinema

Se a emoção me devora

Quando a malvada demora

Ou vai embora ou se tranca

 

Pra que cinema

Se seus cabelos ao vento

Tomam todo  enquadramento

Que me permite a visão

 

Pra que cinema

Se o cenário é segredo

Se ela é todo enredo

É toda luz, toda ação

 

Pra que cinema

Se a projeção já vem dela

E é mais forte que a tela

Que brilha na escuridão

 

Pra que cinema

Se ela é tão colorida

Tão alegre e divertida

Sem o defeito do grão

 

 

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